Lodo é opção barata de fertilizante
Resíduo tratado é rico em fósforo e nitrogênio e substitui, parcial ou totalmente, a aplicação de adubo mineral
O Estado de São Paulo
Fernanda Yoneya
O uso de lodo de esgoto tratado na agricultura pode ser uma opção econômica para produtores. Aplicado como fertilizante, o resíduo orgânico “reciclado” é comprovadamente rico em nutrientes - como nitrogênio e potássio - essenciais para o bom
SEGURANÇA
Antes de ser usado na agricultura, o lodo passa por processos de sanitização que diminuem a quantidade de patógenos e tornam o material seguro. “Com o tratamento adequado pelas companhias de saneamento, a quantidade de agentes contaminantes, como coliformes fecais e ovos de helmintos, é desprezível, o que torna a aplicação segura do ponto de vista sanitário. A presença de metais pesados também é insignificante”, garante o pesquisador Jorge Lemainski, da Embrapa Cerrados.
Lemainski destaca que é necessário usar equipamentos de proteção individual (EPIs) para prevenir os aplicadores contra contaminações via oral. “Quanto menor o contato, mais segura a operação.” Lodo de boa qualidade para a agricultura, observa, é o lodo que se enquadra na legislação do Conama. Deve ser sanitizado e não pode ter mau cheiro.
TESTES
O pesquisador relata os resultados positivos obtidos em experimentos que usaram lodo em lavouras de grãos. “No milho, com a substituição total de adubo mineral, a produtividade, muito boa, foi de 110 sacas/hectare. Para a soja, o índice ficou em 56 sacas/hectare, também com substituição de fertilizante mineral.”
Na dose de 30 toneladas/hectare de lodo, há viabilidade econômica para dois cultivos de soja, com retorno de R$ 0,15 para cada R$ 1 investido no lodo como fertilizante. Na cultura do milho o retorno chega a R$ 0,90, diz Lemainski, que dá a dica de manejo: “Faz-se a rotação do milho com a soja. O lodo é aplicado primeiro na lavoura de milho e, no segundo ano, o produtor entra com a soja, que aproveitará o efeito residual.”
ECONOMIA
O produtor Arlindo Batagin Júnior, da Fazenda São Fernando, que cultiva cana-de-açúcar no município paulista de Capivari, entre Piracicaba e Campinas, conta que tem gostado dos resultados conseguidos com o uso do lodo como adubo. Ele está “experimentando” a alternativa há dois anos em 50 dos 140 hectares de sua propriedade. “Achei interessante por ser uma opção orgânica.”
Na fazenda, o produtor aplica 15 toneladas/hectare de lodo - que vem de Jundiaí - e diz que o principal benefício foi em relação à “longevidade” do canavial adubado com o resíduo reciclado. “Onde apliquei, o número de cortes aumentou de cinco para sete. A capacidade de rebrota melhorou significativamente.”
Além disso, Batagin Júnior calcula que os custos com fertilizantes caíram pela metade. Dos gastos totais, diz economizar 20%. “Deixei de aplicar fósforo e nitrogênio e só aplico potássio, que, no lodo, tem em menor quantidade”, justifica. Ele destaca, porém, que o agricultor precisa ter uma esparramadeira e uma carregadeira na propriedade para fazer a aplicação.
O produtor interessado em utilizar o lodo na propriedade deve, por lei, apresentar um projeto agronômico assinado por engenheiro agrônomo ou florestal à companhia de saneamento de sua região, que também segue determinações legais para tratar o lodo corretamente e torná-lo adequado para a lavoura.
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